Toni Cunha é detonado nacionalmente nas redes sociais após manter show de Zezé em Marabá, pagando R$ 1 milhão da prefeitura, enquanto faltam medicamentos e cirurgias nos hospitais


Uma forte repercussão negativa atingiu a cidade de Marabá e, principalmente, o prefeito Toni Cunha (PL), após a decisão da gestão municipal de manter o show do cantor Zezé Di Camargo no Réveillon, mesmo depois do cancelamento do repasse federal para o cachê do artista. A apresentação, inicialmente prevista para ser paga com recursos do Ministério do Turismo, passou a ser bancada integralmente pela Prefeitura de Marabá, ao custo de R$ 1 milhão.

O episódio ganhou dimensão nacional nas redes sociais, impulsionado por páginas de grande alcance, como a Choquei, que possui mais de 27 milhões de seguidores, e a página Pesquisas e Eleições, voltada à análise política. Juntas, as publicações ultrapassaram centenas de milhares de visualizações, com uma enxurrada de comentários críticos à situação da saúde pública no município e às prioridades da atual gestão.

A polêmica começou após o governo federal cancelar o pagamento do cachê do artista, em meio a uma onda de críticas ao cantor nas redes sociais, após declarações consideradas ofensivas às filhas do apresentador Silvio Santos e a revelação de que ele vinha recebendo valores milionários do poder público enquanto fazia críticas políticas. Mesmo com o corte do recurso federal, a Prefeitura de Marabá anunciou que manteria o show com recursos próprios e que, inclusive, acionaria a Justiça para tentar reverter a decisão.

Em publicação que viralizou, a página Choquei destacou:


“🚨AGORA: Presidente Lula cancela recursos de R$ 1 milhão que seriam destinados ao show de Zezé Di Camargo em Marabá, no Pará, no Réveillon. A apresentação seria paga com dinheiro público. Mesmo com o corte do recurso federal, a Prefeitura de Marabá afirmou que manterá o show com recursos próprios e promete acionar a Justiça para tentar reverter a decisão.”

Nos comentários, usuários passaram a relacionar diretamente o gasto com o show à precariedade de serviços básicos em Marabá. Um dos internautas lembrou que o município figura entre os piores do país em saneamento básico. “Marabá na lista das 10 piores do Brasil em saneamento. E vão pagar R$ 1 milhão para ver o show desse cara. Imagine esse dinheiro no saneamento básico da cidade. Lamentável”, escreveu.

Outros comentários destacaram a situação crítica da saúde pública. Relatos apontam superlotação no Hospital Municipal de Marabá e no Hospital Materno Infantil, falta de medicamentos, carência de profissionais e atrasos no pagamento de médicos. Usuários também mencionaram que o Ministério Público do Pará (MPPA) e a Defensoria Pública já cobraram providências da prefeitura e do Estado diante das deficiências estruturais e operacionais da rede hospitalar.

As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), as escolas municipais, a infraestrutura urbana e o saneamento básico também foram citados como exemplos de áreas que, segundo os críticos, deveriam ter prioridade sobre eventos de alto custo. “Enquanto o artista recebe R$ 1 milhão de cachê pago com recursos públicos, Marabá segue com menos de 1% da população atendida por rede de esgoto”, comentou uma usuária.

Além das críticas à escolha orçamentária, parte dos comentários também atacou diretamente o prefeito Toni Cunha, mencionando investigações e cobranças feitas por órgãos de controle, como o Ministério Público. Embora muitos desses comentários tragam acusações e opiniões pessoais, eles refletem o clima de forte desgaste político que o episódio gerou nas redes sociais.

Até o momento, a Prefeitura de Marabá não apresentou detalhamento público sobre a origem exata dos recursos que custearão o show, nem sobre eventuais impactos do gasto no orçamento municipal. A gestão, por sua vez, tem defendido que grandes eventos movimentam a economia local, argumento que não tem sido suficiente para conter a onda de críticas, sobretudo diante da crise enfrentada pela saúde pública no município.

O caso segue repercutindo nacionalmente e deve continuar alimentando o debate sobre prioridades na aplicação de recursos públicos em Marabá. 

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