Toni Cunha mira promotora que investiga sua gestão e leva embate para o campo pessoal
O prefeito de Marabá, Antônio Cunha Sá (PL), voltou a atacar publicamente a promotora de Justiça Aline Tavares Moreira, titular da Promotoria de Defesa da Probidade Administrativa no município. Em nova publicação nas redes sociais, Toni Cunha direcionou críticas pessoais à integrante do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e chegou a mencionar o companheiro da promotora, insinuando influência nas apurações conduzidas pelo órgão.
A ofensiva ocorre em meio a investigação do MP que apura uma licitação da Secretaria Municipal de Viação e Obras Públicas (SEVOP), estimada em cerca de R$ 6 milhões, destinada à construção de abrigos provisórios para famílias atingidas pelas cheias dos rios Tocantins e Itacaiunas. A apuração foi divulgada inicialmente pelo Portal Cidade Atual e confirmada nos bastidores políticos locais.
Não é a primeira vez que o prefeito confronta a atuação da promotora. Em episódios anteriores, Toni Cunha já havia feito críticas públicas ao trabalho do Ministério Público, questionado recomendações expedidas pela promotoria e anunciado que levaria a representante do órgão ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Na ocasião, a Associação do Ministério Público do Estado do Pará (AMPEP) divulgou nota pública em defesa da promotora, reafirmando a independência funcional dos membros do MP e repudiando ataques de cunho pessoal.
Entre as medidas adotadas pela promotora está a Recomendação nº 07/2025-MP/11ªPJMAB, que orienta o prefeito a se abster de permitir a participação de familiares e pessoas sem vínculo formal com o município em atos e ações custeadas com recursos públicos, com base no princípio constitucional da impessoalidade. A recomendação ampliou o desgaste entre Executivo e Ministério Público.
Ao trazer a vida privada da promotora para o centro do debate, o prefeito eleva o tom do embate institucional e desloca a discussão do campo administrativo para o pessoal. Nos meios jurídicos, a avaliação é de que críticas à atuação funcional fazem parte do debate democrático, mas insinuações envolvendo relações pessoais podem tensionar ainda mais a relação entre os poderes e órgãos de controle.
Delegado da Polícia Federal licenciado e advogado de formação, Toni Cunha construiu sua trajetória política com discurso de rigor e fiscalização. Agora, no entanto, se vê em confronto direto com o órgão constitucionalmente responsável por investigar e fiscalizar a legalidade dos atos da administração pública.
Até o momento, não houve manifestação pública da promotora sobre as declarações mais recentes do prefeito.



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