Entenda a ligação entre Branco da White, o deputado Thiago Araújo, seu pai do Tribunal de Contas dos Municípios e a adesão de ata de R$ 20 milhões pela Prefeitura de Marabá
A Prefeitura de Marabá prepara a adesão a uma ata de registro de preços no valor de R$ 20 milhões que deve beneficiar a empresa CVS Construtora Vale da Serra Ltda, sediada em Paraíso do Tocantins. A informação foi confirmada por fontes internas da própria administração municipal.
Segundo relatos, a gestão do prefeito Toni Cunha (PL) estaria, mais uma vez, optando pelo procedimento de adesão à ata — prática conhecida como “carona” — em vez de realizar processo licitatório próprio. Desde o início do mandato, esse modelo tem sido adotado com frequência, o que já gerou questionamentos nos bastidores políticos e administrativos do município.
Empresa do Tocantins leva dinheiro de Marabá
De acordo com dados públicos da Receita Federal, a CVS Construtora Vale da Serra Ltda (CNPJ nº 37.579.075/0001-89) tem como atividade principal a construção de rodovias e ferrovias, além de atuar em obras de urbanização, drenagem, pavimentação, redes de abastecimento de água e transporte rodoviário de cargas. A empresa está sediada no Setor Oeste de Paraíso do Tocantins e possui situação cadastral ativa.
Fontes ligadas à Secretaria Municipal de Obras informaram que a empresa estaria prestes a ser contemplada com contrato para execução de serviços de drenagem e pavimentação em Marabá, totalizando cerca de R$ 20 milhões.
O que chama atenção, segundo apuração, é que haveria processos licitatórios abertos e disponíveis para o mesmo objeto. Ainda assim, a gestão teria optado pela adesão à ata, garantindo a contratação da empresa tocantinense sem a realização de novo certame específico para o município.
Supostas ligações políticas e atuação nos bastidores
Nos bastidores políticos, circulam informações sobre possíveis ligações da empresa com o pai do deputado estadual Thiago Araújo, que é conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Pará.
O TCM-PA teve atuação relevante no ano passado durante o processo de cassação do mandato do prefeito Toni Cunha. À época, após o avanço de investigações na Câmara Municipal por supostas irregularidades administrativas, um parecer técnico do órgão contribuiu para esfriar o processo político, que acabou sendo arquivado.
Outra informação que circula nos bastidores envolve o empresário conhecido como Branco da White, de Parauapebas, que seria apontado como operador financeiro da empresa na região. Segundo relatos, após a publicação do caso por um portal de notícias de Marabá na sexta-feira (27), a matéria teria sido retirada do ar poucas horas depois. Fontes políticas afirmam que teria havido movimentação para conter a repercussão.
Até o momento, a Prefeitura de Marabá não se manifestou oficialmente sobre os critérios técnicos que fundamentaram a escolha pela adesão à ata, nem sobre as supostas conexões políticas atribuídas à empresa e aos citados.
O espaço permanece aberto para que a gestão municipal, o deputado, o conselheiro do TCM-PA e os empresários mencionados apresentem seus esclarecimentos.



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