Pasta dada por Toni Cunha a Cristino Carreiro consome quase meio milhão em quatro meses e acende alerta em vereadores
Entre eles, os gastos da Ouvidoria Geral do Município, comandada por Cristino Carreiro.
Mesmo sem estrutura robusta, sem grande equipe e, principalmente, sem apresentar resultados públicos relevantes, a pasta já consumiu R$ 369.125,53 em apenas quatro meses — valor que beira meio milhão e supera áreas com atuação direta na cidade.
Para se ter ideia do contraste, outras pastas apresentaram gastos bem menores no mesmo período:
• Secretaria Municipal de Turismo: R$ 191.289,36
• Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente: R$ 49.717,31
• Departamento de Postura: R$ 20.160,00
• Departamento de Patrimônio Público: R$ 8.800,00
A comparação escancara o descompasso: uma ouvidoria — que sequer é uma secretaria — consumindo mais que estruturas com maior demanda, equipe e responsabilidade direta com a população.
O ponto que mais acendeu o alerta entre os vereadores veio durante a própria audiência. Os parlamentares Ubirajara Sompré, Jocenilson, Vanda Américo, Ilker Moraes e Aerton Grande — este último presidente da Comissão de Finanças e Fiscalização Orçamentária da Câmara — apresentaram um requerimento conjunto exigindo explicações formais do ouvidor.
No documento, os vereadores solicitam que Cristino Carreiro compareça à Câmara Municipal para detalhar os gastos da pasta e apresente a folha de pagamento completa da Ouvidoria. Nos bastidores, há apreensão quanto ao possível uso da estrutura pública com vistas às próximas eleições.
Mas o movimento ganha contornos ainda mais políticos quando se observa quem está puxando a cobrança. Aerton Grande, Dean Guimarães e Cristino Carreiro dividem o mesmo reduto eleitoral, o distrito de Morada Nova, e, apesar de integrarem a base do governo Toni Cunha, travam uma disputa silenciosa por espaço e influência na região. Com Cristino agora ocupando cargo estratégico na gestão e com acesso à máquina pública, cresce o incômodo entre aliados — especialmente em Aerton, que preside justamente a comissão responsável por fiscalizar os gastos do Executivo. Nos bastidores, a leitura é clara: mais do que fiscalização técnica, há também uma disputa antecipada de território político mirando as próximas eleições.
O caso ganha ainda mais peso pelo histórico político de Cristino Carreiro. Derrotado nas urnas, ele acabou sendo acomodado na gestão como espécie de “prêmio de consolação” após a vitória de Toni Cunha.
Cristino já havia sido alvo de denúncias públicas envolvendo um suposto esquema de funcionários fantasmas e “laranjas” na Assembleia Legislativa do Pará, à época em que Toni era deputado estadual. O episódio repercutiu em todo o estado e chegou a virar protesto simbólico no bairro Morada Nova, organizado pelo ativista Noé Lima, com direito à distribuição de laranjas para a população em frente ao que seria o “gabinete da família”.
Agora, os números oficiais recolocam o nome de Cristino no centro do debate — desta vez dentro da Prefeitura de Marabá.
Nos bastidores da Câmara, o clima é de desconfiança. A avaliação é de que o volume de recursos destinados à Ouvidoria não se sustenta diante da ausência de entregas concretas à população — e que o caso pode ganhar novos desdobramentos conforme os dados forem detalhados.





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