Mães de autistas choram de arrependimento por voto em Toni Cunha durante reunião na Câmara; saúde municipal está há meses sem medicação

MARABÁ — O clima na sala de comissões da Câmara Municipal de Marabá foi de absoluta consternação e revolta durante uma reunião realizada com a comissão de Saúde da casa. Mães, pais e responsáveis de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ocuparam o espaço para denunciar o que classificam como um "calvário" provocado pela gestão do prefeito Toni Cunha (PL). Entre lágrimas, o sentimento predominante não era apenas de cansaço, mas de um profundo arrependimento político.


A crise, que se arrasta há meses, envolve a interrupção da distribuição de medicamentos controlados e a suspensão de terapias especializadas na rede que, até pouco tempo, era credenciada e custeada pelo município. Sob a sombra de uma gestão que herdou o título de "economia de palitos" do ex-prefeito Tião Miranda, a atual administração de Cunha é acusada de asfixiar o setor de saúde básica e especializada.


O peso do voto e a dor da decepção


Um dos momentos mais impactantes da reunião foi o depoimento de uma mãe que, de forma corajosa, expôs sua frustração com as escolhas feitas nas urnas. Gravada com seu consentimento, ela detalhou como foi militante ativa da campanha de Toni Cunha.


"Apoiei, organizei reuniões e gastei sola de sapato acreditando nas propostas para a nossa causa. Hoje, o sentimento é de traição", desabafou.


Segundo o relato, as portas que se abriam facilmente durante o período eleitoral foram trancadas após a posse. A mãe questionou diretamente o paradeiro das promessas feitas em gabinetes e ressaltou que o apoio da comunidade autista foi fundamental para a eleição do atual prefeito, que agora parece dar as costas às famílias.


Sobrecarga e invisibilidade: "Somos vistas como barraqueiras"


Outra mãe presente emocionou os vereadores ao descrever a exaustão física e mental de cuidar de dois filhos autistas (um deles nível de suporte 3) e com TDAH. Sem o suporte da prefeitura, a família precisa arcar com custos altíssimos, incluindo medicações como o canabidiol, além de avaliações neuropsicológicas que chegam a custar R$ 2.500,00 — um valor proibitivo para quem depende do Benefício de Prestação Continuada (BPC).


"A sociedade e o sistema nos veem como 'barraqueiras' porque lutamos pelo óbvio. Tive que parar de trabalhar para viver em função dos meus filhos, e agora nem a medicação básica nós temos", relatou a mulher de 42 anos, destacando a falta de políticas públicas voltadas à saúde mental das próprias cuidadoras.


O colapso das terapias


A interrupção dos repasses às clínicas especializadas foi o ponto central das cobranças aos parlamentares. Sem o pagamento por parte da prefeitura, os tratamentos foram suspensos ou tornaram-se irregulares, o que, para uma criança autista, significa o retrocesso de meses ou anos de evolução terapêutica.


As famílias apelaram aos vereadores para que intercedam junto ao Poder Executivo e garantam o funcionamento das clínicas e a regularização dos estoques de farmácia. Para essas mães, a "economia" praticada pela gestão Cunha está sendo paga com a saúde e o futuro de seus filhos.



Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Marabá não havia emitido uma nota oficial detalhando o cronograma de pagamentos às clínicas ou a previsão de normalização dos medicamentos controlados. O espaço segue aberto para manifestação da gestão municipal.

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