Vereador do PT de Marabá reafirma negativa em assinar CPI para investigar governo de prefeito bolsonarista do PL e chama choro de mães de autistas de “politicagem”
A crise envolvendo a falta de medicamentos e terapias para crianças com TEA em Marabá ganhou mais um capítulo polêmico nesta semana. Após a forte repercussão negativa da notícia de que o vereador Marcelo Alves (PT) se recusou a assinar a CPI da Saúde, o parlamentar voltou às redes sociais para reafirmar sua posição e acabou aumentando ainda mais a revolta de mães atípicas e até de eleitores ligados à esquerda marabaense.
A CPI proposta na Câmara Municipal pretende investigar a aplicação dos recursos públicos destinados à compra de medicação controlada e à realização de terapias para crianças autistas, diante das constantes denúncias de falta de remédios, suspensão de atendimentos e abandono enfrentado por dezenas de famílias na rede pública municipal.
Depois da repercussão do caso, incluindo vídeos de militantes petistas revoltados com a aproximação entre o vereador do PT e a gestão do prefeito Toni Cunha (PL), Marcelo Alves publicou um vídeo em suas redes sociais tentando justificar o motivo de não apoiar a investigação.
No vídeo, o parlamentar classificou como “politicagem” a cobrança feita pelas mães de autistas e a divulgação do caso por veículos de comunicação digital da cidade. A fala caiu como uma bomba entre familiares das crianças, principalmente porque nesta semana várias mães chegaram a ocupar a tribuna da Câmara chorando e implorando ajuda dos vereadores para que a situação fosse investigada.
Na tentativa de se defender, Marcelo Alves alegou que não integra a Comissão de Saúde da Câmara Municipal e, por isso, não teria responsabilidade sobre o pedido. A justificativa, no entanto, foi vista nos bastidores da política como uma afronta ao próprio regimento interno da Casa, já que qualquer um dos 21 vereadores pode assinar ou retirar assinatura de pedidos de CPI a qualquer momento, independentemente de fazer parte de comissão temática.
A postura do parlamentar tem gerado ainda mais desgaste porque Marcelo Alves construiu sua trajetória política dentro do PT, partido historicamente opositor ao bolsonarismo. Hoje, porém, o vereador é visto cada vez mais próximo da base do governo Toni Cunha, justamente em um momento em que mães de crianças autistas cobram investigação sobre o destino dos recursos da saúde pública municipal.
Até o momento, apenas três vereadores se manifestaram publicamente favoráveis à abertura da CPI da Saúde: Vanda Américo (União Brasil), Ilker Moraes (MDB) e Marcos Paulo da Agricultura (PDT).
Enquanto o embate político cresce, mães de crianças autistas seguem denunciando que continuam sem respostas concretas, sem terapias regulares e sem acesso a medicamentos essenciais para os filhos, apesar dos milhões destinados anualmente à saúde pública de Marabá.


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