Vereadora Vanda Américo chama Toni Cunha de “desumano” e “insensível” após prefeito vetar projetos que ajudariam pessoas com câncer e diabetes em Marabá


Pegou muito mal em Marabá a decisão do prefeito Toni Cunha (PL) de vetar projetos de lei que beneficiariam justamente pessoas pobres, doentes e que dependem do sistema público de saúde para sobreviver. E a reação mais dura veio da tribuna da Câmara Municipal.


Durante a sessão desta terça-feira (19), a vereadora Vanda Américo fez um discurso forte contra o prefeito e classificou como “desumana” e “insensível” a atitude de Toni ao barrar propostas que ajudariam pacientes com câncer e pessoas com diabetes tipo 1 no município.



Decana da Câmara Municipal — ou seja, a parlamentar com mais mandatos da Casa — Vanda tem sido uma das poucas vereadoras que ainda não se venderam politicamente ao Executivo municipal. Em meio a uma Câmara onde boa parte dos parlamentares passou a agir sob forte alinhamento com a Prefeitura, a vereadora vem mantendo postura independente, cobrando, questionando e enfrentando publicamente decisões da gestão Toni Cunha.


Desde o início do governo, marcado por polêmicas, desgaste político e promessas que começam a desmoronar, Vanda tem usado a tribuna para denunciar situações que, segundo ela, atingem diretamente a população mais pobre de Marabá.



Desta vez, a indignação da parlamentar foi motivada pelos vetos do prefeito a dois projetos do vereador Fernando Henrique (PL), aliado de primeira hora de Toni durante a campanha eleitoral, mas que hoje vive um claro processo de fritura política dentro do próprio grupo.


Um dos projetos vetados ajudaria pacientes com câncer que precisam sair de Marabá para fazer tratamento em outros municípios. O outro previa a distribuição gratuita de medidores contínuos de glicemia para pessoas com diabetes tipo 1, equipamento essencial para pacientes que convivem diariamente com aplicações de insulina e risco constante de complicações graves.


Ao se solidarizar com Fernando Henrique e com as famílias que seriam beneficiadas pelas propostas, Vanda deixou claro seu descontentamento com a postura da Prefeitura e criticou o que chamou, nos bastidores, de falta de sensibilidade da gestão diante da dor de quem mais precisa.



A fala repercutiu fortemente dentro e fora da Câmara, principalmente porque escancara o racha cada vez mais evidente dentro do PL de Marabá. Nos bastidores, cresce a avaliação de que Toni Cunha estaria usando a máquina pública e o poder político do cargo para enfraquecer possíveis concorrentes dentro do próprio grupo.


Fernando Henrique é pré-candidato a deputado estadual pelo PL e teria recebido promessa de apoio do prefeito ainda durante a campanha municipal. Porém, após assumir o comando da Prefeitura, Toni passou a priorizar a construção da pré-candidatura da própria esposa, a primeira-dama Lanúzia Lobo.


No meio da disputa política, quem acaba assistindo tudo de perto é a população mais pobre — justamente aquela que depende da saúde pública e que poderia ser beneficiada pelos projetos agora barrados pelo prefeito.

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