Às vésperas das eleições, Toni Cunha gasta quase R$ 4 milhões com shows e atrai atenção do Ministério Público


A decisão da Prefeitura de Marabá de desembolsar quase R$ 4 milhões em cachês artísticos para o Veraneio 2026 passou a chamar a atenção não apenas da população, mas também de órgãos de fiscalização. Em meio à proximidade das eleições e ao crescimento da exposição pública da primeira-dama Lanúzia Lobo, apontada como pré-candidata a deputada estadual pelo PL, os gastos milionários com eventos começam a levantar questionamentos sobre prioridades administrativas e eventual uso político da estrutura pública.



Levantamento baseado em documentos oficiais mostra que a gestão do prefeito Toni Cunha já comprometeu R$ 3,68 milhões apenas com a contratação de seis atrações: Natanzinho Lima, Pablo, Léo Santana, Calcinha Preta, Rey Vaqueiro e a aparelhagem Lendário Rubi. O valor não inclui despesas com palco, iluminação, sonorização, segurança, hospedagem, alimentação e toda a estrutura necessária para a realização do evento.



O que mais tem gerado debates é o momento dessas contratações. Faltando poucos meses para as eleições, a Prefeitura intensificou anúncios de grandes atrações enquanto a primeira-dama tem ampliado sua presença em agendas públicas, eventos institucionais e ações promovidas pela administração municipal. Embora não ocupe cargo oficial na Prefeitura, Lanúzia aparece com frequência em atividades da gestão, cenário que alimenta críticas de adversários políticos e de parte da população.



Para muitos observadores, a preocupação não está na realização de eventos culturais, mas na possibilidade de que a máquina pública esteja sendo utilizada para ampliar a visibilidade política de uma futura candidata. A legislação eleitoral estabelece limites para o uso da estrutura administrativa em benefício de candidaturas, especialmente em períodos próximos ao processo eleitoral.



Enquanto isso, moradores seguem relatando problemas antigos que ainda aguardam solução. Reclamações sobre a saúde pública, falta de médicos, demora em exames e consultas, ruas esburacadas, drenagem precária e transporte coletivo insuficiente continuam fazendo parte da realidade de milhares de famílias marabaenses.



Nas redes sociais, o assunto também repercutiu. Ao anunciar uma das atrações do Veraneio, o prefeito recebeu o comentário de um internauta afirmando que “pra festa tem bastante dinheiro”. A resposta de Toni Cunha — “Tem pra isso e muito mais” — acabou gerando ainda mais críticas e reforçando o debate sobre as prioridades da administração municipal.



Outro ponto que chamou atenção foi a contratação de Rey Vaqueiro para o Veraneio, mesmo após o artista já ter sido anunciado como atração da Expoama 2026. A repetição levantou questionamentos sobre planejamento e diversidade da programação, além da aplicação dos recursos públicos.



Embora não exista qualquer decisão ou condenação relacionada aos contratos divulgados pela Prefeitura, o volume dos gastos, a proximidade das eleições e a crescente exposição política da primeira-dama colocam o tema sob observação. Em uma cidade onde a população continua cobrando melhorias em áreas essenciais, o investimento milionário em shows tem provocado um debate inevitável: se há dinheiro disponível nos cofres públicos, por que ele aparece com tanta rapidez para os palcos e com tanta demora para resolver problemas que afetam diretamente a vida dos moradores?


À medida que o calendário eleitoral avança, a tendência é que os holofotes sobre a gestão municipal se tornem ainda mais intensos. Afinal, quando milhões de reais são investidos em eventos festivos em pleno ano eleitoral, os aplausos do público costumam vir acompanhados da atenção dos órgãos de fiscalização e do olhar crítico da população.

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