Vereador da base do prefeito Toni Cunha declara apoio a Chamonzinho para deputado estadual em Marabá
Um fato, no mínimo, curioso aconteceu neste final de semana em Marabá. Vereadores que se apresentam como integrantes da base do prefeito Toni Cunha (PL), defendem a gestão na Câmara, votaram pelo arquivamento das denúncias que poderiam resultar na cassação do mandato do prefeito e vivem circulando pelos corredores da Prefeitura, agora aparecem declarando apoio ao deputado estadual Chamonzinho, justamente um dos maiores arqui-inimigos políticos de Toni na região.
O caso mais emblemático foi o do vereador Dato do Ônibus, que declarou publicamente apoio à pré-candidatura de reeleição de Chamonzinho. Pedrinho Corrêa também participou da agenda política ao lado do deputado.
A cena é daquelas que fazem qualquer eleitor coçar a cabeça. Afinal, de um lado os vereadores defendem o governo, têm indicações políticas na Prefeitura, parentes empregados na administração municipal, aliados em cargos estratégicos e, em alguns casos, até negócios com o município. Do outro, sobem no palanque do principal adversário político do prefeito.
Em bom português, é o famoso ato de acender uma vela para Deus e outra para o diabo.
Dato, Pedrinho, Márcio do São Félix, Ubirajara e outros integrantes desse grupo parecem ter encontrado a fórmula perfeita para sobreviver na política: ficar bem com todo mundo ao mesmo tempo. Ou pelo menos tentar.
O detalhe é que Toni Cunha trabalha para viabilizar a candidatura da primeira-dama Lanúzia Lobo Cunha (PL) para deputada estadual em 2026. Mas parte dos vereadores que desfrutam da estrutura e da proximidade com o governo municipal parece não estar muito animada com esse projeto.
Pelo contrário. Preferem declarar apoio justamente a Chamonzinho, adversário histórico de Toni, com quem trava disputas políticas há anos e que dificilmente pode ser considerado um aliado do atual prefeito.
Nos bastidores, a movimentação é vista como mais um capítulo da velha política marabaense, onde muitos juram fidelidade durante o dia, mas à noite já estão negociando com o lado oposto. O importante não é a bandeira, a ideologia ou a coerência. O importante é garantir espaço em qualquer governo que venha a vencer.
Enquanto isso, o eleitor assiste a tudo e tenta entender como alguém pode ser governo e oposição ao mesmo tempo, aliado e adversário na mesma semana, defensor de Toni e cabo eleitoral de Chamonzinho no mesmo palanque.
Coisas da política. Principalmente quando o objetivo não é defender um projeto, mas garantir que o milagre da sobrevivência eleitoral continue acontecendo.

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