Pré-campanha de Lanúzia Cunha (ex-Lobo) patina entre rejeição de empresários, falta de carisma e racha na base de Toni Cunha

MARABÁ – O que era para ser uma campanha milionária rumo à Assembleia Legislativa do Estado do Pará (ALEPA) está se desenhando como um verdadeiro pesadelo político para o prefeito de Marabá, Toni Cunha (PL). O principal empenho do gestor — eleger sua esposa, Lanúzia, como deputada estadual — fincou o pé no barro e enfrenta uma crise severa que mistura falta de dinheiro, rejeição do empresariado local e um isolamento regional preocupante.


Dificuldades de mobilização, portas batidas na cara e um racha silencioso na própria base aliada são os ingredientes que explicam por que a pré-candidatura da primeira-dama simplesmente não decola.


O "Troco" dos Empresários: Financiadores fecham a torneira


O primeiro grande baque da pré-campanha é financeiro e vem de dentro de casa. Empresários de Marabá que abriram o bolso para financiar a campanha que elegeu Toni Cunha à prefeitura fecharam completamente a torneira para Lanúzia.


O motivo? O sentimento de traição. O empresariado local reclama, em tom de revolta, que foi preterido pela atual gestão. Enquanto quem apoiou ficou a ver navios, contratos milionários e adesões de atas de registro de preços foram direcionados para empreiteiros de outros municípios e até de fora do estado do Pará. Agora, na hora de pedir o voto e o apoio para a esposa, Toni Cunha ouviu um sonoro "não".


"Carisma de uma porta" e distanciamento do povo


Além do caixa vazio, a própria figura da pré-candidata é apontada como um obstáculo quase intransponível. Filha do multimilionário Ítalo Ipojucan, Lanúzia Lobo sempre viveu em uma bolha de privilégios. Críticos e articuladores políticos da região não poupam palavras: afirmam que ela tem o "carisma de uma porta" e a "humildade de uma boneca Barbie".


Nunca na vida Lanúzia disputou sequer uma eleição de associação de bairro. Nas últimas três décadas, período marcado por intensos conflitos políticos e sociais na complexa região de Carajás, ela jamais moveu uma palha ou demonstrou interesse por pautas populares. O resultado desse histórico de alienação é nítido: hoje, o apoio à sua pré-candidatura está rigidamente restrito aos servidores comissionados e contratados da prefeitura de Marabá, que são obrigados a aplaudir por sobrevivência no cargo.


Estratégia do desespero: Para tentar reverter o desconhecimento da população, especialmente das fatias mais pobres, a equipe de marketing tomou uma medida drástica: mandou Lanúzia abandonar o sobrenome "Lobo", que usou a vida inteira, para adotar o "Cunha" do marido. Uma tentativa clara de pegar carona na popularidade do prefeito.


Isolamento regional e a provocação em Curionópolis


Para uma campanha de deputada estadual ter sucesso, é preciso romper as fronteiras do município. Mas Lanúzia não consegue passar das placas de saída de Marabá. Até o momento, nenhuma liderança de peso de outras cidades declarou apoio, e não há eventos sendo realizados na região.


A única exceção foi um ato de pura provocação política ao deputado Chamonzinho, arqui-inimigo político de Toni Cunha. O prefeito cooptou dois vereadores de Curionópolis para apoiar Lanúzia. O tiro, porém, pode sair pela culatra: os mesmos vereadores agora digerem o fato de Toni já ter chamado Curionópolis de "currutela"em suas redes sociais no passado. Fora isso, o cenário regional é um deserto de apoios.


Pressão: Toni Cunha empareda vereadores


Diante do fracasso em expandir o nome da esposa, Toni Cunha partiu para o "tudo ou nada" dentro de Marabá. O prefeito começou a encurralar os vereadores de sua base aliada para exigir a realização de reuniões políticas em prol da primeira-dama. O primeiro alvo da pressão foi o vereador Aerton Grande, que hoje promove um ato político no núcleo Morada Nova.


No entanto, a estratégia de coerção esbarra em um teto de vidro. Vereadores governistas que gozam de empregos e regalias na máquina pública — como DatoPriscila Veloso e Pacheco — estão de mãos atadas ou fingindo demência, pois já possuem compromissos firmados com outros candidatos a deputado estadual, como o próprio Chamonzinho e Aveiton.


O clima nos bastidores é de tensão. Com a base rachada, empresários revoltados e o povo alheio a uma candidatura que consideram elitista, o projeto de Toni Cunha de transformar a esposa em deputada parece ter começado de trás para frente — e o relógio está correndo.

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