Presidente da Câmara Municipal de Marabá diz que estão roubando dinheiro da Prefeitura, com aluguéis de veículos superfaturados e anuncia investigação
A declaração ocorreu justamente em meio à repercussão do contrato de R$ 133,8 milhões para a locação de 40 ônibus destinados ao transporte coletivo de Marabá. Como já divulgado, os veículos não foram comprados pelo município: são alugados, conforme os documentos disponíveis no Portal da Transparência da Prefeitura. A empresa vencedora é a Norte Ambiental, de Marituba.
Ao comentar o contrato dos ônibus, Ilker Moraes foi direto:
“Nós queremos os ônibus, queremos! Mas no valor que tá locado aí, está superfaturado, e alguém está roubando o dinheiro de Marabá.”
O presidente da Câmara também criticou os valores envolvidos na contratação de caminhões coletores de lixo.
“Nós queremos a coleta de lixo, mas queremos! Mas o preço que está sendo pago no aluguel do coletor de lixo, tão roubando o dinheiro de Marabá”, afirmou.
Promessa de acabar com aluguéis virou alvo de cobrança
Durante o discurso, o presidente também lembrou uma promessa feita por Toni Cunha no início do governo. Segundo o vereador, o prefeito utilizou as redes sociais para anunciar que acabaria com os contratos de aluguel de veículos utilizados pela Prefeitura, mais uma mentira.
Na avaliação do parlamentar, porém, a realidade tem sido diferente. Além da manutenção de contratos de locação, a gestão teria firmado novos acordos milionários para alugar ônibus, caminhões e outros veículos.
A crítica ganha força justamente agora, quando a Prefeitura anuncia a chegada de novos ônibus para o transporte coletivo. O governo municipal havia prometido uma frota de 50 ônibus com ar-condicionado e Wi-Fi, promessa que vinha sendo cobrada pela população nas redes sociais.
O contrato recentemente divulgado, entretanto, prevê 40 ônibus alugados, e não adquiridos definitivamente pelo município.
Até iluminação de LED é alugada
No discurso, Ilker Moraes também levantou outro ponto que pode ampliar a discussão sobre o modelo adotado pela atual gestão: segundo o vereador, as próprias luminárias de LED instaladas nos postes de Marabá também seriam objeto de locação e, portanto, não pertenceriam definitivamente ao município.
A revelação chama atenção porque a modernização da iluminação pública foi amplamente divulgada pela Prefeitura como uma das ações da gestão.
Se confirmada documentalmente, a informação significa que, além dos ônibus e caminhões, o município estaria utilizando um modelo em que paga pelo uso de equipamentos e veículos sem necessariamente incorporá-los ao patrimônio público.
Vereador anuncia investigação dos contratos
A discussão não ficou restrita ao presidente da Câmara. O vereador Marcos Paulo da Agricultura (PDT) também informou que está analisando minuciosamente os contratos de locação firmados pela Prefeitura de Marabá.
A intenção é verificar valores, empresas contratadas, condições dos contratos e se os preços pagos pelo município são compatíveis com os praticados no mercado.
O caso ganha ainda mais relevância diante do volume de dinheiro envolvido. Somente o contrato dos 40 ônibus representa R$ 133.800.800,00 em locação.
O episódio coloca novamente sob questionamento a política de locação adotada pela Prefeitura de Marabá e levanta uma pergunta que deverá ser respondida durante as investigações: quanto Marabá está pagando para usar esses veículos e equipamentos e quanto eles realmente valem no mercado?

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