O ‘gari playboy’ de Marabá: Filho de vereadora estuda na faculdade mais cara da cidade, chega de CB600 e recebe vale-alimentação da prefeitura com salário de gari

Causou alvoroço nas redes sociais de Marabá, nesta quarta-feira (28), a revelação de que o jovem Paulo Ricardo Veloso da Silva, filho da vereadora Priscila Veloso (PSD), figura na folha de pagamento da Prefeitura como agente de conservação — cargo popularmente conhecido como gari — com salário de R$ 1.800 e direito a vale-alimentação de R$ 650, sem jamais ter sido visto desempenhando qualquer função relacionada à limpeza urbana.


Apesar de ocupar um dos cargos mais operacionais da máquina pública, Paulo Veloso ostenta uma rotina incompatível com a função: estuda na faculdade particular mais cara da cidade, circula de moto esportiva modelo CB600 e, segundo denúncias recebidas pelo Blog, é desconhecido até mesmo entre os próprios colegas de setor no SSAM (Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá).

A situação escancara não apenas o uso político de cargos públicos, mas também levanta suspeitas de desvio de função e possível nomeação fantasma. De acordo com fontes do SSAM, que pediram anonimato por medo de retaliações, Paulo nunca foi visto exercendo qualquer atividade de campo. “Nunca pegou numa vassoura. Ninguém aqui conhece ele como servidor de limpeza”, disse um dos trabalhadores.


De diretor técnico a gari — tudo sem concurso


A nomeação de Paulo Veloso como gari ocorreu após sua breve passagem como diretor técnico da Seaspac, em 2024, quando a mãe ocupava o cargo de secretária adjunta de Assistência Social e se afastou para disputar as eleições. Na época, mesmo sem experiência ou formação na área, Paulo assumiu um cargo estratégico dentro da pasta. Saiu discretamente quando a mãe reassumiu a secretaria, já eleita vereadora.

A nova função no SSAM, embora aparentemente menos visível, reacendeu a polêmica. A própria vereadora, ao ser questionada pela reportagem do Portal Curupira Marabá, admitiu que o filho foi aprovado em um processo seletivo, mas afirmou que ele estaria atualmente “lotado no apoio ao gabinete do prefeito Toni Cunha (PL)”. Não explicou, porém, quais tarefas desempenha nem por que um agente de conservação estaria vinculado diretamente ao núcleo de poder do Executivo.


Possível desvio de função e servidor fantasma


A Constituição Federal é clara: cargos públicos devem seguir os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa. Se Paulo foi aprovado para atuar como agente de conservação, mas cumpre tarefas (ou nenhuma) no gabinete do prefeito, o caso pode configurar desvio de função — prática vedada e passível de responsabilização do gestor, além da nulidade do ato

Há ainda a hipótese mais grave: a de que o jovem esteja apenas nomeado e recebendo salário sem sequer cumprir expediente. Se confirmada, a situação caracterizaria o que a legislação define como funcionário fantasma, crime que pode resultar em devolução dos valores aos cofres públicos, cassação e perda dos direitos políticos de quem autorizou a contratação.

Procurada pela reportagem, a direção do SSAM não se manifestou até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.


Quando o gari é real: o caso do ‘gari gato’ de Florianópolis


Em contraste com o escândalo em Marabá, vale lembrar o caso que viralizou em todo o Brasil: o do “gari gato” Daniel Silveira, de Florianópolis (SC). Concursado da Comcap, Daniel percorre cerca de 45 quilômetros por noite na coleta de lixo na capital catarinense. Mesmo com a rotina exaustiva, se tornou símbolo de dedicação e superação ao conciliar o trabalho pesado com os estudos em Psicologia e a criação das duas filhas.

Em 2023, Daniel foi eleito Mister Florianópolis e Mister Santa Catarina, chegando ao top 6 do concurso Mister Brasil 2024. Sua visibilidade não veio por ostentação, mas pela trajetória de esforço no serviço público. Diferente do caso marabaense, o gari catarinense é visto todos os dias nas ruas, suando o uniforme e respeitando a função que exerce.

Enquanto o Brasil aplaude exemplos como o de Daniel, Marabá precisa lidar com mais um capítulo da velha prática de transformar cargos públicos em favores políticos — com dinheiro do contribuinte. 

2 comentários:

  1. Não necessariamente um gari o a gente de conservação pode varia dês de gari propriamente dito até um fiscal de recursos naturais dentre outros

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  2. Até parece. Desde a gestão passada já SSAM as pessoas são contratadas mas não atuam como gari, são poucos os restantes estão espalhados pelas outras secretaria exercendo funções até de coordenação.

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